Entre os meses de janeiro e agosto deste ano, o Brasil exportou cerca de 595 mil toneladas de carne bovina para a China, maior importador do produto nacional. O volume, segundo dados do Ministério da Economia, gerou uma receita de mais de US$ 3 bilhões (equivalente a quase R$ 17 bilhões).

Há quase 50 dias, porém, os chineses fecharam os portos para a exportação. No dia 4 de setembro, o Ministério da Agricultura confirmou a ocorrência de dois casos atípicos da doença do mal da “vaca louca” em animais que estavam em Minas Gerais e no Mato Grosso. A doença se manifesta de forma natural nos bovinos de idade avançada e não causa riscos à saúde humana e de outros animais. Mesmo assim, para atender acordo de exportação firmado com a China, o Ministério suspendeu as vendas para o país asiático.

A retomada do comércio dependeria de decisão do governo chinês. No dia 6 de setembro, a Organização Internacional de Saúde Animal emitiu parecer dizendo que os casos registrados não apresentavam riscos à produção bovina do Brasil. Mesmo assim, a China não retomou as importações. A informação é da Jovem Pan.

Nas prateleiras dos supermercados, o consumidor segue sem ver mudanças nos preços. A analista de mercado agropecuário Lygia Pimentel explica que os varejistas estão tentando compensar as perdas de quando o preço do boi estava mais alto, uma valorização que começou no final de 2019.

“O preço do boi começou a subir muito, mas o preço no varejo e no atacado não conseguiu acompanhar na mesma medida, ficando defasado. É estranho o consumidor ouvir isso porque a carne para ele subiu muito, mas é interessante ele entender que o preço do boi subiu ainda mais, então houve uma perda de margem por parte de quem comercializa a carne no varejo. Agora o preço do boi caiu porque nós não temos mais este mercado da China, só que, como o varejo perdeu margem nesse processo, ele não vai baixar os preços porque ele vai tentar recompor a margem deste produto neste momento”, analisou.

By Felipe Silva

Economista Pós Graduado em Controladoria e Finanças e Auditoria Contábil e Perícia. Jornalista regulamentado pela Portaria n°89 de 22 de Janeiro de 2016. Empresário e Consultor Financeiro.

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